Dedos leves no metrô de Paris

Dedos leves no metrô de Paris

A mala era grande demais para aquele horário de pico no metrô da capital francesa. O frio do inverno teimava em entrar pelas frestas da porta que se abrem somente caso alguém queira entrar ou sair.

Dentro daquela caixa de aço, as pessoas pareciam mais espremidas ainda, devido aos casacos de frio, volumosos e espaçosos.

Inseguro de qual estação descer, pego o celular para olhar o mapa do metrô. Observo que ainda faltam algumas estações para a nossa próxima baldeação.

Coloco o celular no bolso do meu moletom. Me viro para conversar, neste momento sinto um leve toque, me viro e vejo as mãos de um adolescente saindo do bolso de minha blusa. Por pouco, meu celular não evaporou pelo metrô francês.

Olho para o garoto e começo a falar com ele em português. A decisão de falar minha língua natal foi algo curioso, pois o garoto não entendia nada, mas sabia que eu estava p*to com ele.

Logo chegou a próxima estação. O garoto de origem argelina tratou de sair o mais rápido possível. Logo atrás de mim, um companheiro dele colocou a mão na minha mochila, virei bem nervoso. Foi o necessário para distrair me e os dois sumirem.

Logo passou a raiva e voltei a curtir o lugar. Me lembrei que esses garotos são excluídos pela sociedade. Tem pouco acesso a educação e emprego. O extremismo religioso, traduzido através do terrorismo, colocou esses garotos que tem no rosto a marca de ser estrangeiro, mais a margem ainda da sociedade.

Como uma lebre que foge do coiote, me safei dos trombadinhas franceses. Mas olhar no olhos daquele garoto foi ver que desigualdade não existe somente em um país subdesenvolvido como o nosso.

Liberté, égalité, fraternité



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