Na dúvida, eu caminho.

Faz dias que me cobro para postar um texto no site, mas o fato é que o episódio ocorreu em 2010, portanto é preciso recordar dos detalhes e tentar viajar de volta ao perrengue número 3 deste site

Foi a minha primeira trip internacional viajando sozinha, o Agui já estava em Los Angeles cobrindo o X Games e eu chegaria depois para desfrutarmos das férias. Mas, a felicidade de viajar sozinha, vinha acompanhada de um medo para me comunicar em inglês.

Encarei o desafio e fui viajar sozinha. O Agui me pegou no aeroporto de Los Angeles e fomos para o hotel onde ele estava hospedado junto com a equipe do trabalho. Cheguei na madrugada, portanto o companheiro dele de quarto, Caio Salles, já estava babando. Cheguei e capotei .

No dia seguinte, todos saíram para o evento e eu tinha a missão de me transportar com a mala para a casa do nosso amigo Dayne Brummet O endereço? Koreatown, cerca de 19 km, saindo do hotel para o local onde eu ficaria nos próximos 20 dias.

Mas não havia ônibus ou outro transporte? Sim, claro que havia, mas eu como uma ariana teimosa, fui andando, na idéia de que chegaria no meu destino caminhando, hahaha doce ilusão. Na época, eu tinha um iPhone 2G, mas sem internet e uma bateria que não durava muito, fui indo na cara e a coragem para tentar pegar um transporte e claro pedindo informação e empurrando a mala pela Century Blvd Achei o ponto depois de andar alguns quilômetros, esperei e esperei o maldito ônibus e nada. Aí, resolvi perguntar para uma senhora muito simpática e prestativa, se alí era o ponto do ônibus para Koreatown e depois de muito custo para ela me entender onde era esse lugar, ela disse que o ponto havia mudado e a rota dele também.

Um dos pontos de ônibus

Ponto de ônibus

Eu não tinha outra alternativa, a não ser continuar caminhando, quase sem comunicação, porque na cidade feita para o carro, poucas pessoas se transportam a pé em Los Angeles. Eu estava sem água, de sapatilhas no pé (meninas, vocês sabem o que isso significa!), um calor absurdo, de mochila e carregando a outra mala, sem poder gritar para o Agui me resgatar.

Torci para conseguir um ônibus qualquer, para ir para qualquer lugar mais próximo de Koreatown Foi o que fiz, peguei o primeiro ônibus e falei em inglês da minha maneira com o motorista, cheguei em um bairro bonitinho, mas não fazia idéia de onde eu estava.

Eu tinha um mapinha de papel e foi apenas isso que me ajudou.

Achei a rua do Dayne e foi a maior alegria do dia, caminhei e achei a Norton Avenue, era um conjunto de casas e a dele era a última com uma cadeira amarela na porta, apertei a campainha, bati e chamei, mas ninguém atendia, era tudo muito silêncioso. E eu sem celular, com fome, sede e vontade de ir ao banheiro. Fui nos fundos da casa, mas não tinha certeza de que estava no lugar certo.

Haviam muitas casas, mas apenas uma tinha a cadeira amarela.

Haviam muitas casas, mas apenas uma tinha a cadeira amarela.

E se eu estivesse no endereço errado? E se a casa não fosse aquela
No fundo da casa tinha uma porta, tentei abrir e para a minha surpresa, a porta estava aberta, mesmo apreensiva eu entrei, já passava das 3 da tarde, a brincadeira começou às 9 da manhã. Entrei e deixei a mala na sala, havia uma escada e eu louca para ir ao banheiro, presumi que o banheiro ficava lá em cima, subi a escada na ponta dos pés e quando cheguei no topo, havia um gato sentado no corrimão da escada, eu me assustei porque estava morrendo de medo de não estar onde eu deveria.

A casa estava vazia? não sei, mas fui ao banheiro e quando fui espiar o quarto,  a esposa do Dayne estava lá, no cantinho com fones de ouvido e quando me viu tomou um baita susto, imagina eu!

A moral da história é, com ou sem perrengue, falando ou não a língua daquele país, eu me virei! É claro que depois não passei fome e nem sede. Nosso amigo KDra sempre diz e a gente aprende que, podemos passar mal ou passar bem, eu escolho a segunda alternativa.



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