Para ti, Paraty

Noite quente, o centro histórico está cheio de turistas, crianças correm e brincam de pega-pega, em meio à mulheres que caminham de salto alto e se equilibram nas pedras escorregadias.

Cais de Paraty

Cais de Paraty visto do mar

Do outro lado da rua, se ouve uma mistura de música com o som de turistas estrangeiros, conversando em uma língua que não consigo compreender.

Passear pela vila de Paraty é como viajar no tempo, é como viajar no Mundo. A cidade que durante o período colonial, foi sede do mais importante porto exportador de ouro do Brasil. Hoje, a cidade recebe turistas do mundo inteiro, em busca de boa comida, diversão, passeios e praias.

As pedras, o obstáculo da madame cambaleante, são uma herança do período colonial. Um político “criativo”, em um momento de delírio, chegou a propor trocar as pedras por um moderno pavimento. Mas sua ideia foi rechaçada.

A história da época colonial está nos casarões que compõem a vila paratiense. Alí, onde foi o presídio, hoje é uma biblioteca, onde foram importantes armazéns, hoje são residências e ateliês de artistas plásticos.

O centro Histórico refletido na maré alta

O centro Histórico refletido na maré alta

O Centro Histórico de Paraty é considerado pela UNESCO como “o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso”. É também Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN.

Em meados do século XVIII, decaindo a extração e exportação do ouro, Paraty perdeu sua importância. No início do século XIX, com o ciclo do café, a cidade novamente teve dias de riqueza, mas com a crise de 1929 este período chegou ao fim. A cidade passou a ser uma vila de pescadores. Seu difícil acesso e a distância do Rio e São Paulo tiraram o brilho do lugar.

Mas foram exatamente estas características geográficas que colocaram Paraty novamente no circuito, dessa vez, na década de 60, artistas, músicos, cineastas e toda uma juventude intelectual descobriu a cidade. Isolada geograficamente, o local se tornou um refúgio da dureza do regime militar.

Com a abertura da BR 101 (Rio-Santos), em meados dos anos 70, Paraty recebe um novo impulso. Como nas fases anteriores de “ocupação”, no ouro ou no café, um novo ciclo veio dominar e explorar a cidade: o turismo, potencializado no seu conjunto paisagístico e arquitetônico, nas areas cercadas pela Mata Atlântica, são 65 ilhas nas mais de 300 praias da região. Paraty ainda faz divisa com o Parque Estadual da Serra do Mar.

Peixe a moda caiçara

Peixe a moda caiçara, uma das tradições culinárias da região.

O calendário turístico-cultural é bastante intenso, alguns eventos se destacam em decorrência de suas tradições folclóricas e religiosas. São mais de 30 eventos culturais acontecendo durante todo o ano.

Comer, comer e comer… E quem não gosta? A cada esquina da cidade, surgem diversos restaurantes, especializados nas cozinhas da França, da Itália … Muitos deles, são administrados por turistas estrangeiros que se apaixonaram pela cidade e nunca mais foram embora. A própria FLIP (Festa Literária de Paraty) é invenção de uma inglesa. Liz Calder.

A diversidade cultural e da culinária da região, atraem muitos estrangeiros. Na gastronomia local, os pratos tradicionais são a base de pescados, que são servidos sempre frescos e acompanhados com banana da terra e pirão. Tudo muito farto, servido em panelas de barro.

E para acompanhar o prato, a bebida mais tradicional de Paraty, a caipirinha. Alguns historiadores dizem que Paraty é responsável pela criação da bebida.

Centro Histórico de Paraty

Centro Histórico de Paraty

Um documento de 1856 da receita da bebida esta no arquivo público da cidade fluminense. Conta-se que a partir de 1600, a cidade de Paraty tenha começado a alambicar suas cachaças. Hoje na cidade são 7 alambiques em funcionamento, mas já foram mais de 100.

Durante o Brasil Colônia, Paraty foi a mais importante região produtora de pinga do Brasil, sua aguardente era a mais cara comercializada no país.

Em Paraty, seja para descansar ou sair para bater perna pelas ruas do centro histórico e se perder pelas vielas, ou seja para fazer uma foto, ou olhar uma lojinha, ou quem sabe ainda, tomar uma cachaça, um café ou um sorvete… ou simplesmente fazer nada, tudo com muito charme.



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